Apartamentos compactos: menos espaço, porém com mais vantagens

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Na sala, o sofá fica a dois curtos passos de distância da televisão. Fogão e máquina de lavar roupas estão separados por uma divisória de vidro, fronteira entre a cozinha e a área de serviço.

No centro do quarto, a cama de casal ocupa praticamente todo o espaço disponível. Compactos e mais baratos, os apartamentos que atualmente ocupam uma boa parcela do mercado imobiliário representam a atual tendência da sociedade de priorização da carreira e de poucos filhos.

Segundo a corretora Ione Rabay, uma das responsáveis pela venda dos imóveis do Aurora Trend – empreendimento da Moura Dubeux em que uma das torres possui apartamentos de 57 metros quadrados – pessoas que querem investir no mercado imobiliário têm preferência pela compra de apartamentos menores.

Os imóveis também são recomendados pelas construtoras a pessoas que desejam viver sozinhas, casais mais maduros que já não têm mais filhos em casa, recém-casados ou famílias de até dois filhos pequenos.

A recém casada Natália Tenório é uma das compradoras que se encaixa nesse perfil. Os 50 metros quadrados de seu apartamento irão acomodar o casal e mais dois filhos.

“Compramos na planta, em 2010, por um preço muito bom. Foi praticamente um achado”, diz a arquiteta.
Desde a época da compra do imóvel até agora, o casal – que já tinha um filho – não contava com a chegada de mais uma integrante à família antes de o apartamento ficar pronto.

Segundo ela, o fato de o apartamento ter dois dormitórios – um para o casal e outro para as crianças – não chega a ser um problema. “Por enquanto vai ser tranquilo, porque eles são pequenos e vai dar pra dividir o quarto. A preocupação vai ficar pra depois, quando meus filhos ficarem maiores e não der pra ficar no mesmo quarto. Vamos ter que nos mudar”, diz.

A corretora e advogada Naiva Porto também escolheu morar em um apartamento de espaço compacto. Satisfeita com seus 45 metros quadrados divididos em sala, cozinha, quarto, banheiro e varanda, a corretora afirma já ter morado em imóveis de maior metragem, mas se identificou com o apartamento atual.

Naiva ainda elogia a versatilidade dos imóveis pequenos e comenta que o tamanho não impede de receber amigos em sua casa. “O espaço é aconchegante, tem tudo o que eu quero e dá pra receber até oito pessoas numa reunião. Basta colocar alguns bancos na varanda e pronto”, comenta.

Naiva ainda elogia esse segmento de mercado tanto pessoal quanto profissionalmente.

“É um nicho de mercado que surgiu porque as pessoas têm buscado cada vez mais a praticidade. Também existe a questão de que grandes cidades não têm mais espaços para a construção de imóveis de grande porte”, pontua.

Para o cientista social Daniel Filizola, os recursos escassos das grandes cidades e o conceito atual de família são os fatores que refletem e influenciam a construção dos imóveis.

“A composição da família nos dias de hoje é diferente de algumas décadas. As pessoas têm menos filhos ou, em alguns casos, a família não têm uma figura materna ou paterna. Tudo isso faz com que os apartamentos fiquem cada vez menores”, explica.

“Ainda existe a tendência de ter menos filhos e priorizar o lado profissional”, complementa. Segundo ele, esse fator também é responsável pelo atual cenário do mercado imobiliário.

Filizola ainda menciona a importância de analisar o aspecto econômico para entender o atual mercado imobiliário. “A utilização dos recursos da cidade, como água e luz, têm se tornado cada vez mais escassa, assim como os espaços para a construção dos prédios. Além disso, também existe a questão da grande concorrência em que a sociedade vive. Isso acaba levando as pessoas ao individualismo e, consequentemente, à convivência em apartamentos menores”, complementa.

Fonte: Tribuna da Bahia